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O Livro Disso

Georg Groddeck

Descrição

Quem inventou a psicanálise foi mesmo Freud? Groddeck acreditou durante bom tempo que ele próprio a havia inventado, e não o médico de Viena. Groddeck já praticava a psicossomática desde 1895 e apenas em 1911 ficou sabendo oficialmente das idéias de Freud. Primeiro, foi a frustração por ter alguém se antecipado a suas propostas. Depois, um breve momento de rejeição e crítica pública das noções da psicanálise. Num terceiro momento, reconhece a procedência de Freud e inicia com este uma troca de idéias registradas em cerca de oitenta cartas ao longo de oito anos, de 1917 a 1925. Período curto, mas o suficiente para concordâncias, mútuo apreço e divergências essenciais. A mais importante girava ao redor do conceito de Isso, termo adotado por Freud conforme proposta de Groddeck, mas por ele entendido de modo restrito enquanto o propositor do termo, o próprio Groddeck, o concebia de maneira mais ampla. De início, Freud chega a se irritar e acusar Groddeck de misticismo. Numa carta de 1921, porém, admite que sua própria concepção era válida apenas para as “camadas relativamente superficiais” do inconsciente enquanto para as regras mais profundas a teoria de Groddeck para o Isso - Es - era a mais correta. “Posso me apresentar então publicamente como psicanalista?”, pergunta Groddeck, respeitoso e zombador. “Você é um soberbo psicanalista que apanhou o essencial da coisa”, responde Freud como quem tem de reconhecer a inventividade e competência do colega sem querer dar o braço a torcer. Também os psicanalistas se enredam no jogo da vaidade, parece. No fundo, nenhum dos dois convenceu o outro. Mas a obra de Freud correu mundo, apoiada pelas associações de psicanálise, enquanto a do solitário Groddeck, “analista selvagem” como ele mesmo se apresentava, ficou longo tempo no desvio para ser retomada apenas no começo da década de 1960, com pique maior a partir de meados da de 70. O Livro dIsso, uma de suas obras básicas, é uma série de cartas imaginárias a uma amiga não menos fictícia em que Groddeck, com humor, clareza e profundidade, desenrola sua temática sobre Isso que nos constitui.

Condição Seminovo
ISBN 9788527301220
Perspectiva
 
 

 
 
2000 caracteres restantes

 

Quem inventou a psicanálise foi mesmo Freud? Groddeck acreditou durante bom tempo que ele próprio a havia inventado, e não o médico de Viena. Groddeck já praticava a psicossomática desde 1895 e apenas em 1911 ficou sabendo oficialmente das idéias de Freud. Primeiro, foi a frustração por ter alguém se antecipado a suas propostas. Depois, um breve momento de rejeição e crítica pública das noções da psicanálise. Num terceiro momento, reconhece a procedência de Freud e inicia com este uma troca de idéias registradas em cerca de oitenta cartas ao longo de oito anos, de 1917 a 1925. Período curto, mas o suficiente para concordâncias, mútuo apreço e divergências essenciais. A mais importante girava ao redor do conceito de Isso, termo adotado por Freud conforme proposta de Groddeck, mas por ele entendido de modo restrito enquanto o propositor do termo, o próprio Groddeck, o concebia de maneira mais ampla. De início, Freud chega a se irritar e acusar Groddeck de misticismo. Numa carta de 1921, porém, admite que sua própria concepção era válida apenas para as “camadas relativamente superficiais” do inconsciente enquanto para as regras mais profundas a teoria de Groddeck para o Isso - Es - era a mais correta. “Posso me apresentar então publicamente como psicanalista?”, pergunta Groddeck, respeitoso e zombador. “Você é um soberbo psicanalista que apanhou o essencial da coisa”, responde Freud como quem tem de reconhecer a inventividade e competência do colega sem querer dar o braço a torcer. Também os psicanalistas se enredam no jogo da vaidade, parece. No fundo, nenhum dos dois convenceu o outro. Mas a obra de Freud correu mundo, apoiada pelas associações de psicanálise, enquanto a do solitário Groddeck, “analista selvagem” como ele mesmo se apresentava, ficou longo tempo no desvio para ser retomada apenas no começo da década de 1960, com pique maior a partir de meados da de 70. O Livro dIsso, uma de suas obras básicas, é uma série de cartas imaginárias a uma amiga não menos fictícia em que Groddeck, com humor, clareza e profundidade, desenrola sua temática sobre Isso que nos constitui.

23/03/2016